sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Corre tempo

Corre tempo,
não há tempo
para você.

Corre tempo,
o vento vai depressa.

Corre tempo,
depressa
não há tempo.

Não há tempo,
não há tempo.

Corre tempo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Quero dizer que...

Eu quero dizer que eu esqueci as gavetas, que eu não guardo mais nada.
Eu quero dizer que eu esqueci também o relógio, porque eu não espero mais nada.
Eu quero dizer que eu ando levando, levando amor de um lado e de outro, em cima e embaixo, pendurado no pescoço e dentro dos bolsos.


Bj.

Vamos

Vamos vendo
Vamos indo
Vamos sendo
Vamos
Vamos
Vamos
Sem saber.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A d o c e

Acabo cedo
Cedo acabo
A boca cedo
A boca doce
A doce boca
Adoce cedo
Adoce.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

(des) concerto

Acabou a linha no Janeiro Novo.

Agora sem remendos, sem colcha de retalhos.


domingo, 27 de outubro de 2013

Ai os meus bigodes... É tarde, é tarde até
que arde...
Ai, ai, meu Deus, alô, adeus, é tarde, tarde
é tarde.
Não, não, não, eu tenho pressa, pressa...
Ai, ai, meu Deus, alô, adeus, é tarde, é
tarde, é tarde.


(Fala do coelho branco em Alice no País das Maravilhas)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

(re) forma

A forma cobrava a força
A força era a reforma
A reforma não tinha força
Ela nem sabia a forma.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Amarelando

- É esse que quero, o amarelo.
- Ainda demora querida, tem muito pra descolorir. E mesmo que desbote bem não fica como novo.


sábado, 29 de junho de 2013

(sobre)vivendo

O sol dos dias não seca os olhos
O vento traz...

 A memória nunca vai embora
e o cigarro não sufoca o peito como deveria.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

(sobre) vivendo

Ouço essa canção ainda combalida, mas olha só, eu estou quase cantando.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Leve


Leve hoje
Hoje leve
Leve
Leve
Leve
Raro

quinta-feira, 7 de março de 2013

não me pergunte.

Quando me dói, me esfaqueia a própria felicidade e sangra para dentro toda aquela alma ferida pelos próprios pensamentos.

terça-feira, 5 de março de 2013

produção de texto - resposta à carta de Mário de Andrade a Drummond.

Mário,

Não fique pasmo meu caro, não se faz necessário. Esse meu aquietamento tem função, ando metido comigo mesmo na minha poética. Desabafo tímido os sentimentos amargurados no meus escritos.
Não trate como desleixo. Sabes bem tu meu pupilo que sou um eu retorcido. Entendo tua preocupação.
Meu livro vai indo, resumindo meu eu, espremendo essa realidade que se dá por aqui, essa mudança dos tempos, o progresso que está invadindo.
Estou por agora rolando a pedra no meio do caminho. Permaneço rimando minhas faces.


Com saudades, Carlos.

domingo, 3 de março de 2013

o coração continua

a luz não acende, mas a janela está aberta.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O amor não é um filme

Então fica difícil dividir tudo de novo
Eu sou você, você quem é?
Mas não quero mais
Mesmo que o amor não me deixe em paz...


Dalto.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Folguedo de amor

No fim do terceiro, decompondo :

perdi e ganhei
perdi, recuperei.
choveu
secou
partiu
ajuntou.

Sorri,
sorri !

Corri.

Dancei samba
me embebi de amor,
de amor de carnaval.

Carnaval passou,
mas não o amor.

Dancei, contra dancei
amei
repeti.

Mês acabou,
mas confetes não pararam de cair.
Ainda danço o mesmo amor
no mesmo embalo
beijo, arrepio
beijo, tapa
beijo, beijo
toca o samba
re (faz) fulia

amor,  amor de carnaval.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

preciso dizer

 que o dia pode ter sido cheio, mas a noite chega cheia de vazios.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

te quero bem

                                                                                                                                              G.S.

O verdadeiro bem querer aparece sem desculpas, sem demora, sem choro nem imploração. Cultivai-os com toda paciência, que a gratificação será maior do que podes imaginar. te quero muito bem.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

e muitas noites ainda permanecerei relembrando
o amor morto
a solidão viva
me preenchendo .

o corpo,
a sombra,
o cheiro,
se foram.

o silêncio vive dentro de tudo
e alimenta-se aqui.

domingo, 20 de janeiro de 2013

o livros velhos cheiram à poeira do coração
vento que não consegue balançar
olhos antigos, e não sei de onde vem.
os objetos ficaram, mas as lembranças chegam
se não aos poucos, em tormentas.
porque as memórias não podem ser lavadas com um banho gelado,
e sons são gravados e encrostados nos ouvidos como batidas infinitas.
Sem soluções vantajosas, andam arrastando -se  pedaços de pessoas.