quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Momentâneo

Na estante
Um instante,
Deixei estar, parado,
Pra juntar poeira.

Por não saber onde por
Por não saber como enfeitar
Por não saber.

Por aqui,
Por ali,
Naquele canto,
E no outro também
Amontoa -se na estante,
Daqui outra hora
transbordará nas gavetas

Por fim, pego isso,
Me canso,
Coloco na mala
E vou -me embora!

Largo no mar,
Que é pra de vez afogar
Ou afogo isto, ou afogo eu.

Afogo os dois!
Afogo em mim,
depois afogarme-ei .
Acaba-se tudo
E não haverá mais instante
de valde na estante
Nem ante
Nem adiante
Só água presa no pulmão

Coração nadante
Víscera salgada
Gritarão: - Afogou-se, afogou-se!

Agora jogue a estante também
E tudo que há nela,
Aqueles meus bibelôs,
Minhas lembranças ..

Espere!
Jogue antes meu lenço
Quero secar a vertente
À qual me lanço
Jogue, jogue logo!
Que isto está transbordando,
Mudei de idéia
Fecho os olhos fortemente,
Acaba-se a água,
Já não me afogo.


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